Neste momento, quero propor uma reflexão, a partir do texto escrito em uma faixa na greve das operárias têxteis na cidade de Massachusetts, nos Estados Unidos, em 1912: “As almas, como os corpos, podem morrer de fome. Queremos pão, mas também queremos rosas”.
Primeiro de maio, um dia de festa, um dia para comemorar nossas conquistas. Comemorar os mais de 15 milhões de vagas geradas, comemorar os avanços das políticas públicas, comemorar estas e outras conquistas do governo do presidente LULA, comemorar a eleição da Presidenta Dilma e os avanços das políticas sociais e o enfoque no combate a pobreza. Mas também um dia de luta por melhores empregos, pela dignidade, pela redução constante das jornadas de trabalho, pela educação e pelo direito a felicidade. Celebrar o avanço do poder de compra do salário mínimo, que na década de 90 equivalia a 50 dólares e hoje equivale a 310 dólares.
Um dia que devemos também dedicar para a reflexão. Lembrar da exploração a qual os trabalhadores historicamente foram submetidos, na escravidão da antiguidade, desde a civilização grega e das conquistas romanas, na idade média européia os trabalhos extenuante no campo e de intensa fadiga nas cidades. Relembrar que negros africanos e seus ascendentes foram expostos a um sofrimento impiedoso no novo continente. Relembrar da revolução industrial e a partir dela o trabalhador submetido a muito esforço e repetições, complementando o trabalho de grandes máquinas ou junto com seus filhos tendo que puxar vagões de carvão no interior de perigosas e arriscadas minas. Lembrar das lutas no Brasil, onde a situação não era diferente, trabalhadores do campo e da cidade eram explorados. Um exemplo da situação, os horários eram fixados para o trabalho em oficinas, das 7 às 17 horas; nas fábricas de tecelagem, das 6 às 18 horas; no comércio de varejo, das 7 às 22 horas. Em função disso, no início do século XX, surgiam fortes movimentos de luta por direitos trabalhistas com a consolidação do dia 1º de maio como um dia de lutas da classe trabalhadora. Que se sucederam até a instituição da Consolidação da Legislação Trabalhista-CLT. Em nosso país, às 48 horas de jornada semanal só foram reduzidas em 1985, com bastante atraso em relação ao resto mundo. A redução foi possível depois de muita mobilização dos trabalhadores através dos sindicatos. Passou a vigorar a carga horária de 44 horas.
Avaliar que hoje, muito ainda precisa ser buscado, como por exemplo, a luta pela redução da carga horária. No mundo inteiro, existe uma pressão dos trabalhadores para a redução das jornadas de trabalho. No Brasil, a Central Única dos Trabalhadores - CUT apresentou, em 1997, um articulado projeto que prevê a redução da carga horária para 40 horas, sem redução de salários. Com cálculos pouco diferenciados, a Força Sindical, a Central Geral dos Trabalhadores e a Confederação Geral dos Trabalhadores, seguem no mesmo caminho.
Neste 1º de maio, devemos reafirmar os nossos compromissos, nosso partido é classista, que defende os Trabalhadores, sempre tivemos lado nesta luta, e estamos construindo um novo país junto com mulheres e homens que plantam, ensinam, trabalham em frente a máquinas, fazem limpeza, edificam prédios, dirigem caminhões, trabalham na saúde e em todas as demais atividades. Temos muito para comemorar, precisamos avançar, e a LUTA continua.
CARLITO NICOLAIT
Vereador em Gravataí
Presidente do Diretório Municipal do Partido dos Trabalhadores - PT








