terça-feira, janeiro 15, 2013

“CABEÇA DINOSSAURO”

Parte da letra da música A Face do Destruidor


Titãs



"O destruidor não pode mais destruir

Porque o construtor não constrói.

O construtor não constrói porque

Não pode mais construir.

A face do destruidor."


“CABEÇA DINOSSAURO”



Todos os dias assistimos na TV, ouvimos no rádio, lemos nos jornais, nossos amigos e familiares nos contam, ou nós mesmos vivemos situações dramáticas na saúde pública. Porém, apesar de tudo isso o Brasil tem um dos melhores sistemas de saúde pública do mundo. Lanço aqui um desafio e começo a defender minha opinião. O SUS é gratuito em todos os níveis de complexidade. Em Países como a França e Estados Unidos existem tetos e limites financeiros. Ocorrem situações onde o paciente é internado para um tratamento e este tem que ser interrompido porque o teto financeiro daquele paciente foi atingido. Aqui, milhares de pacientes crônicos ficam em tratamentos altamente complexos por muitos anos seguidos. No Brasil, muitas pessoas têm convênios privados e a maioria destes convênios garante somente os primeiros acessos e algumas terapias, porém quando o custo do tratamento aumenta, os pacientes são encaminhados para a Saúde Pública. O SUS é Universal, todas as pessoas podem acessar e acessam os serviços. Digo todos e cito só um exemplo, você sabia que a água encanada tem sua qualidade monitorada pela Vigilância em Saúde? Pois toda ela é. Inclusive em diversas regiões, o monitoramento da água dos poços artesianos garante o acompanhamento da qualidade da água do lençol freático. Ainda sobre o acesso universal, aqui no Brasil nem sempre foi assim, até a década de 80 só recebiam atendimento às pessoas que tinham a carteirinha do INPS e depois do INAMPS. Novamente na comparação com países desenvolvidos, em muitos deles só existe o atendimento para aquelas pessoas que têm o cartão da seguridade social. A gratuidade, no SUS, todos os procedimentos são gratuitos este é um grande benefício. Estas conquistas foram fruto de muitas lutas, ampliadas na reforma sanitarista e garantidas pela Constituição Federal em 1988. Portanto o SUS é relativamente novo, tem menos de 25 anos e ainda precisa ser consolidado. Conheço um pouco do SUS, como usuário e como gestor público, pois fui Secretário Municipal de Saúde da cidade de Gravataí entre os anos de 2005 e 2008. Conheço os limites e conheço as potencialidades. Sei que é possível acabar com todas as filas em postos de saúde, como fizemos em Gravataí naquele período. Sei que dá para zerar as esperas de exames como tomografia e ressonância-magnética, porque fizemos isso. Mas também sei que existem situações dramáticas que nunca, sequer foram enfrentadas. A falta sistemática de médicos em plantões. Ou o fato triste ocorrido esta semana, a nossa cidade ser manchete nacional pela demora do socorro a duas vítimas de um acidente de trânsito em frente de um Hospital.



Situações como essa mostram que temos muito por fazer, precisamos resolver algumas aberrações burocráticas que ainda persistem, precisamos melhorar as estruturas físicas, precisamos motivar os servidores, reconhecendo o seu trabalho, estruturando planos de carreira, criando possibilidades de intercâmbio com universidades e humanizando as relações internas. Mas especialmente, precisamos que a tudo aquilo que é dito em período eleitoral seja colocado em prática.



Mas externamente precisamos que a sociedade valorize mais algumas ações, que os meios de comunicação enfoquem alguns aspectos positivos. E temos muitos dados para comemorar. Avançamos muito na prevenção, com ações como o Programa de Saúde da Família-PSF. Erradicamos muitas doenças graves através de campanhas de vacinação. Reduzimos drasticamente a mortalidade infantil, aumentamos a expectativa de vida da população. O País hoje tem a garantia do acesso a medicamentos gratuitos para uma série de doenças através do Programa Farmácia Popular. Escrevo isso e sei que alguém pode dizer que faltam medicamentos nas farmácias públicas e eu vou dizer que há 25 anos elas não existiam e que estão melhorando a cada ano.



No SUS tem muita coisa boa, muitas ações que funcionam, porém a grande questão que surge é a seguinte: Para quem interessa, atacá-lo e colocar só marcas ruins nele, para quem interessa esta tentativa de destruir o SUS. Creio que interessa somente aos que criticam pela crítica, ou fazem isso em busca de promoção pessoal, mas acredito que sirva principalmente para a iniciativa privada, porque quanto pior for a imagem da saúde pública e quanto menos as pessoas acreditarem no SUS, maior será o número de pessoas que vão procurar a Saúde Privada.

Gosto muito dos Titãs e hoje acordei com a letra de uma música, “A face do destruidor”. Estranhamente não gosto desta música, e acho o disco “Cabeça Dinossauro” de 1986, a pior coisa que os Titãs já fizeram. Mas como sei que pela forma como esta letra martelou a minha cabeça hoje, eu devia associá-la com algum acontecimento e foi o que fiz. Amigas e Amigos, continuemos atentos, vigilantes, cobrando com muito vigor especialmente nos espaços adequados, mas cuidando para onde apontamos a “artilharia”, pois o fundamental é que precisamos continuar construindo o SUS porque para destruir já tem muita. Fica um recado para todos que militam na área da saúde, para todos os trabalhadores da saúde, para os órgãos de imprensa e principalmente para os gestores públicos: Cuidem bem da Saúde Pública! Cuidem bem do SUS!



Vereador CARLITO NICOLAIT

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