Falo aqui pela bancada do Partido dos Trabalhadores, composta pela vereadora Tania Ferreira, vereador Airton Leal, vereador Carlinhos Medeiros (em licença saúde) e por este vereador Carlito Nicolait.
Nicolait DE MATTOS, tenho ascendência alemã, ucraniana e açoriana, meus bisavós, vieram da região das Anguntias nos Açores.
Nós brasileiros passamos por um processo de miscigenação muito grande. O Estado do Rio Grande do Sul especialmente. Gravataí, da mesma forma, mas com um diferencial, aqui a base da nossa colonização é açoriana. Construímos uma grande cidade, aqui nestas terras altas, uma cidade linda, de um povo ordeiro e trabalhador características herdada do povo açoriano.
Para falarmos dos Açorianos no nosso estado, precisamos obrigatoriamente falar da Casa dos Açores do Rio Grande do Sul, fundada em 2003, e localizada aqui em Gravataí no Casarão dos Fonseca, também conhecido como Solar das Magnólias. Abro um parêntese aqui para destacar como é possível preservarmos a cultura e explorarmos as potencialidades, muitas vezes sem dispender recursos públicos. Lembro que nos anos de 2001 e 2002 aquele imóvel estava para ser demolido e uma parceria do município e a família Fonseca, aquele imóvel foi cedido em troca de índices construtivos. Logo em seguida o imóvel foi doado à CAERGS, que fez um maravilhoso trabalho de recuperação e que é mais um instrumento que ajuda a despertar em todos a importância da busca de nossas raízes. O Régis lembra, participei deste processo, eu era secretário da Fazenda do Município, junto com a Bia Torres, secretária de Planejamento no governo do então prefeito Daniel Bordignon. Um belo patrimônio, um monumento à cultura açoriana.
Mas agora quero falar do nosso homenageado, Carlos Manuel Martins do Vale César, nascido em 30 de outubro de 1956, um governante de um estado autônomo composto por nove ilhas, de muitas belezas, muitas riquezas e também algumas fragilidades, que ele como presidente e fundamentado nos seus princípios democráticos e socialistas governa buscando enfrentar os problemas estruturais, econômicos e sociais da região.
Inspirado pelo tio-avô Manuel Augusto César e pelo irmão Horácio do Vale César, Carlos inicia muito jovem a sua militância política, já em 1973, com 17 anos, integra a comissão dinamizadora de sua cidade natal, Ponta Delgada.
Resistiu e se opôs ao regime ditatorial de Salazar e Marcelo Caetano, e em 26 de Abril de 1974, um dia depois da "Revolução dos Cravos", fundou a Associação de Estudantes do Liceu Antero de Quental, e, um mês mais tarde, a Juventude Socialista nos Açores.
Um pai e marido dedicado, faço referência aqui a senhora Luisa César, um homem de hábitos simples e que busca sempre novos desafios. Na vida política desde meados da década de 70, ultimamente não tem tido muito tempo para fazer aquilo que mais gosta em seus momentos de lazer. Seu refúgio de férias na ilha do Farol no Algarve serve para recarregar as energias, na praia, nos passeios de barco e também naquilo que gosta muito de fazer que é uma boa caminhada.
Durante seu governo estimulou a participação de todos, promovendo grandes diálogos e buscou sempre ampliar a integração das diversas comunidades, sabedores que somos das dificuldades geológicas daquele arquipélago, este é sempre um desafio presente. Enfrentou dificuldades, catástrofes naturais, mas tem obtido excelentes resultados ao longo do seu governo.
Esta união entre os povos, o rememorarar das nossas tradições, a manutenção de nossa cultura seguem vivas e sempre presente, mais ainda a partir desta bela homenagem, proposta pelo Vereador Vail e que hoje estamos realizando.
Para encerrar,
Cito agora, da obra Memórias da Cidade Cercada, O Terrramoto de Fernando Aires, escrito para sua terra natal, Ponta Delgada:
“ Daquela vez, o contador era homem de respeito, considerado digno de crédito, famoso de uma ponta à outra da Ilha por saber tanger os sentimentos no íntimo das pessoas, com sua eloquência e força de olhar e de gestos. De sorte que os ranchos que se punham a escutar, ouviam perfeitamente estarrecidos, os gritos das gentes em fuga, os gemidos dos moribundos cada vez mais desesperados e o uivo dos cães na partilha dos mortos. Assim se avaliava melhor como o rolar dos montes e o lume no mar tinham enchido de terror e espanto a velha mulher, ali sozinha, perdida :Senhor, misericórdia ! Senhor, misericórdia ! Minha Nossa Senhora ! – a mulher tolhida no meio da casa, as mãos no peito. Tolhida.
Mas a casa não caiu. Nem o teto, nem as paredes caíram. Nem o lume brotado do mar chegou até ali. Ao lado do mundo maior, convulsionado até à orla do horizonte, aquela casa menor, situada na raiz do monte, sobrevivera como a luz que toma conta da madrugada.”
Parabéns Sr. Carlos Manuel Martins do Vale César, presidente do governo regional dos Açores, e a partir de hoje cidadão Gravataiense.
Carlos Manuel Martins do Vale César (Presidente dos Açores – Portugal) recebeu um Título de Cidadão Gravataiense. Projeto de Lei de iniciativa do vereador Vail Corrêa aprovado na Câmara Municipal.
ResponderExcluirMas o que quero agora é debater o merecimento de um Título de Cidadania. Quem merece? Quais critérios a Câmara de Gravataí usa para escolher os homenageados??? Como se chega a esses escolhidos para serem honrados pelo Poder Legislativo???
O que sei, e, talvez eu esteja equivocado, é que o Título de Cidadania foi criado em parlamentos para se homenagear uma pessoa que embora não tendo nascido em um certo lugar, merece ser considerado como filho daquela terra em razão de muitos serviços prestados em prol da comunidade.
Essa é a ideia. Mas tem sido assim. Qual o serviço prestado pelo Sr. César à comunidade Gravataiense???? Será que os parlamentos não estão banalizando aquilo que teria que ser uma “raridade”, uma “pérola”, desses que “para se chegar lá teria que haver uma bela história de vida”??? A Câmara já fez uma redução neste tipo de homenagem. Mas será que ainda não há exagero?
Luis Henrique Monteiro
E-mail: luishmonteiro2008@hotmail.com